Hoje
pela manhã, vi um texto compartilhado por uma amiga no Facebook, no qual a
atriz Fernanda Torres literalmente obrou na Disney, no modo dos estadunidenses
ser, no que comem e por aí vai... Do alto de uma arrogância de quem pode muito
mais do que os meros mortais, ela, uma senhora de 46 anos, desandou a falar mal
da Disney de Orlando. Eu fiquei espantado com tanta mágoa no coração da pessoa,
que ao invés de dançar conforme a música e curtir o passeio preferiu apenas reparar
no que de ruim (segundo ela) existe no parque.
Farei então uma postagem diferente, comentando
dentro do texto dela, com certo humor e ironia em letras em negrito e, ao
final, minhas considerações gerais.
Segue
o texto da “simpática” atriz...
A Disney é um conceito apavorante de infância
organizado em um sistema angustiante de filas
Por doze anos recusei levar meu filho à Disney. Uma convicção estética
inarredável orientava a minha negação. Nessas férias, porém, uma viagem ao
México com escala em Miami amoleceu meu coração de mãe.
12 anos para amolecer o coração?
Bruxa!
No dia 24 de janeiro do fatídico ano de 2012, abandonei os maias e a
esplendorosa península do Yucatán para entrar em um avião rumo à Orlando. A
temporada de cinco dias na Flórida foi comparável aos círculos de sofrimento de
"A Divina Comédia", de Dante.
Meu, ela acentuou com crase o “a”
de rumo a Orlando... Uma palavra masculina, portanto, não tem crase!
Importante: A crase não ocorre: antes de palavras masculinas; antes de verbos,
de pronomes pessoais, de nomes de cidade
que não utilizam o artigo feminino, da palavra casa quando tem significado do
próprio lar, da palavra terra quando tem sentido de solo e de expressões com
palavras repetidas (dia a dia).
Fatídico ano? Meu, como é que deixam
alguém que acredita nesta idiotice escrever na Folha de São Paulo?
Círculos de sofrimento? Hum...
Como Deus ora pelos inocentes, meu rebento menor, de três, caiu com 39 graus de
febre no aeroporto de Cancún. A milagrosa virose o deixou de molho nas
primeiras 72 horas de aflição na América, enquanto eu e o maior adentrávamos as
profundezas da terra onde os sonhos se tornam realidade.
Deus ora? Eu entendi bem? Deus
ora? Meu Deus, pensei que éramos nós que orávamos para Deus...
Milagrosa virose? Meu, reparem,
pensem bem, como uma mãe chama de milagrosa uma virose que o filho de três anos
pegou, ao invés do menino poder brincar na Disney?
“72 horas de aflição na América?
Bem, quando ela saiu do México, onde estava tão bom assim, era qual continente?
E onde fica o Brasil? Até porque a América tem este nome em homenagem a Américo
Vespúcio, que constatou que as novas terras descobertas eram na verdade um
enorme continente, e fez isso no litoral brasileiro. Por isso deram o nome de
América, em sua homenagem. Portanto, o nome América nasce no Brasil, não nos
Estados Unidos da América, o nome correto do país “infernal” do qual ela tem o
visto de entrada tirado previamente...
O Limbo, primeiro círculo de penitência, se apresentou na forma de
montanhas-russas colossais que comprimem os sentidos a forças G inimagináveis.
Deixei meus neurônios serem prensados contra a parede do crânio em loopings
cadenciados, até ser cuspida tal e qual um zumbi agastado, tomado por
abobamento crônico.
Montanha-russa é para quem gosta
e pode viu querida, não gosta, não ande, pronto. Eu amaria andar naquelas
montanhas russas...
Abobamento crônico, pois é...
Percebi...
As máquinas medievais de martírio causam náusea, vômito e enxaqueca.
Máquinas medievais de martírio? A
idade média vai de 476 a 1453 viu Fernanda, a montanha-russa foi inventada nos
primeiros anos do século XIX, na Rússia... Daí o nome...
Para os que preferem sofrer ao rés do chão, simuladores provocam a mesma
sensação de abismo sem saírem do lugar em que estão.
Mais uma vez, é para quem
gosta...
Na sétima hora do dia, enquanto era sugada, no lugar da chupeta, por uma Maggie
Simpson descomunal, eu já não falava e nem me mexia. Caí dura no resort de
golfe, "wonder land" da terceira idade muito frequente na região.
Finalmente em um lugar compatível
com sua idade... Mental...
A Flórida é o último refúgio dos que viveram até a aposentadoria.
Pois é, último... Generalizadora
ela...
Abri o olho e reneguei assistir a tormenta das baleias cativas nos tanques do
Sea World. Atrás de motivos para ser castigada, fui arrastada às compras por um
furacão chamado luxúria.
As baleias são caçadas,
infelizmente, pela loucura humana pela carne do bichinho. No fundo, tais
parques garantem a reprodução delas e a proteção contra outros humanos de pescá-las...
Usufruímos o céu nublado da Universal da tarde seguinte. O ar de quermesse do
parque vazio, o clima ameno e o Harry Potter nos fizeram crer na alegria
infantil dos americanos. Driblamos bem a comida intragável, servida em porções
individuais que alimentariam tribos inteiras. O jejum é dádiva quando se encara
as aves inchadas a hormônio e o teor transgênico das lanchonetes. Orlando é a
cidade campeã da obesidade mórbida; o Lago de Lama dos que sucumbiram à gula.
Céu nublado da Universal? Já compraram o
céu também? Ainda por cima nublado, coitada da Fernanda, e olha que ela pagou
por um sol...
Alegria infantil dos americanos,
hum, mais uma vez faz falta conhecimentos de geografia na moça...
Estadunidenses filha... Gostar de “Os Normais” que deve ser adulto de fato, não
coisa de pré-adolescentes curiosos sobre sexo...
“Driblamos bem a comida intragável,
servida em porções individuais que alimentariam tribos inteiras. O jejum é
dádiva quando se encara as aves inchadas a hormônio e o teor transgênico das
lanchonetes.” Bem, se o garoto quisesse arroz com feijão teria ficado na casa
da avó, paterna...
“Orlando é a cidade campeã de
obesos mórbidos”... Tem um ranking em mãos tia?
A última alvorada foi dedicada à Disney. O sol brilhou no sábado de inverno,
atraindo a multidão bíblica que lotou os milhões de metros quadrados de hotéis,
zoológicos e parques temáticos; interligados por rodovias, hidrovias e
ferrovias futuristas.
Criticando a multidão, pelo visto
você também fazia parte dela Fernanda... Multidão bíblica? Acho que ninguém foi
lá para rezar...
A Disney é um conceito apavorante de infância organizado em um sistema
angustiante de filas. É o ante-inferno dos indecisos que aguardam em caracóis
indianos uma satisfação que nunca chega.
Conceito apavorante de
infância... Engraçado que as crianças saem rindo de lá... Que tal as crianças
pobres, que vendem chicletes nos semáforos, passam fome, frio, viram bandidos e
não podem ir até a Disney, isso não lhe apavora?
Filas... Se não quer sacrifício,
fique em casa, peça para alguém levar o menino, tenho certeza que ele gostaria
muito mais do que a sua péssima companhia...
Ir na Sapucaí fazendo propaganda de marca de cerveja com apelo sexual pode né, Disney não!
Você
anseia para ter o direito de aguardar em pé, agarrada à democrática senha que
só amplia a espera. A jornada se esvai em uma azucrinante administração de
tickets. A condenação à eterna expectativa seria até suportável, não fosse o
suplício sonoro.
Suplício sonoro? Meu, a mulher
estava uma pilha, se alguém peidasse perto dela acho que ela matava...
Como vespas a picar os tímpanos, a voz aguda das musiquinhas enjoadas, os
"cling", "cleng", "glom" das engenhocas de ferro
e a proliferação de musicais da Broadway, encabeçados pelo grande show do
castelo da Cinderela, são de perder a razão. E mesmo durante o safari, única
esperança de silêncio ecológico, o timbre de buzina da guia aspirante à atriz
vinha pinçar os nervos.
Quer silêncio? Não vá para a Disney!
“Buzina da guia aspirante à atriz”... Bem, se ela tivesse a sorte de ter
nascido filha da Fernanda Montenegro né... Seria mais fácil eu acredito...
A comparação entre a delicadeza do Caribe mexicano e a artificialidade embalada
em plástico de Orlando foi um choque e tanto.
Até onde eu sei, criança odeia
ver ruínas... Apesar de que eu amaria ter a chance de poder conhecer tal lugar,
mas as crianças, sabe como é né...
Antes de partir, visitei o paraíso. Um pântano na zona rural povoado por
crocodilos, peixes e pássaros semelhante ao gigantesco charco que Walt Disney
adquiriu há décadas atrás.
Em paz, no meio da lagoa virgem, me perguntei o porquê da zona urbana daquele
lugar manifestar um prazer masoquista tão arraigado.
“Um pântano na zona rural povoado
por crocodilos, peixes e pássaros semelhante ao gigantesco charco que Walt
Disney adquiriu há décadas atrás”. Hum, sería sobre ecologia que você está
falando? Por que não escreve então sobre a área do Projac, lá da Rede Globo,
onde você gravava? Ali era uma área da mata atlântica, ameaçada de extinção,
que o senhor Roberto Marinho comprou na década de 1990 e, montou até cidades
cenográficas para as novelas. Ah tá, preservou um pouco da mata original... Um
pouco... Ali mesmo, que você ganhou uma boa grana para ir para a Disney, para
depois poder falar mal.
Talvez seja culpa pelo excesso de ofertas nos supermercados, pela invenção do
papel higiênico felpudo, do "super size" tudo, dos veículos alcoólatras
e das cidades sem pedestres. A insustentável fartura social se penitencia
tomando sustos em trem fantasmas mirabolantes.
Culpa de veículos alcoólatras?
Aqueles mesmo que reduzem os índices de poluição no meio-ambiente? Com
combustível desenvolvido no Brasil? Cidades sem pedestres? Nunca conheci uma,
mas... Ela deve ir gravar a pé, ou de bicicleta...
Não é diversão, é dívida cristã. A Disney nasceu na Idade Média.
Dívida cristã? Disney nasceu na
Idade Média? Aquela mesma época em que meros mortais (98% das pessoas) não
tinham praticamente diversão alguma, não existia comércio, muito menos parques?
Nem sequer existia moeda corrente? Acho que a Disney, nascida no século XX é
bem diferente...
Bem galera, sei muito bem como estes
parques ganham dinheiro, sei o que está por detrás de tanta diversão para as
crianças. Porém, as crianças tem o sagrado direito de se divertir, e nenhum
adulto ranzinza, a meu ver, pode estragar a diversão de uma criança. Já fui
sete vezes na Tokyo Disneyland, oito vezes na Tokyo DisneySea e uma vez na
Universal. E vou com minha família nas três novamente neste ano.
As crianças se encantam com os parques, com
os personagens dos desenhos que estão ali, para elas abraçarem e tirar fotos. Como
a Fernanda Torres pode achar que sabe qual diversão é melhor para uma criança?
O encantamento nos olhos da minha filha, não tem dinheiro que compre. E uma
criança meu amigo, não sabe que é capitalismo, consumo, geopolítica,
imperialismo, nada. Para elas vale se divertir, e estes parques cumprem a
promessa. Filas? Ora dona Fernanda, não posso afirmar nada, mas acredito que
você tenha algumas comodidades no Brasil com relação a este assunto. Deve ter
alguma prioridade, acredito eu, até pela fama que segundo consta, você fez por
merecer, é claro. Não que os demais profissionais, que não ficam correndo
seminus em seriados na Globo, não venham a merecer, mas em uma sociedade
democrática, em um local movimentado, é isso que acontece... Filas, como no
Brasil, para nós “normais”, não para “Os Normais”, é bem comum. Lá nos states
tu é peão, igual eu né fofa, rs.
Achei que ela pegou pesado demais, parece alguém
de mal com a vida. Vale lembrar que você é como a Disney, vende entretenimento
para as pessoas. Se bem que eu acho a Disney bem mais competente nesta
atividade, mas o fato que é isso que você vende, nada mais. Então, não seja
hipócrita, uma foto com a Minie você deve ter batido, confessa vai. Hoje vi uma
imensa fila no McDonald’s, resolvi ir comer em casa, e claro, fiz uma matéria
sobre o comportamento dos japoneses nestes dias, mas não achei inferno nenhum.
Caso estivesse com minhas filhas, ficaria na fila com o maior prazer, todos tem
o seu direito e, filas, garantem isso.
Agora, não entendi bem a paulada na
democracia, tudo certo com ditaduras, companheira Fernanda?