sábado, 18 de fevereiro de 2012

Fernanda Torres obrou na Disney de Orlando...

Hoje pela manhã, vi um texto compartilhado por uma amiga no Facebook, no qual a atriz Fernanda Torres literalmente obrou na Disney, no modo dos estadunidenses ser, no que comem e por aí vai... Do alto de uma arrogância de quem pode muito mais do que os meros mortais, ela, uma senhora de 46 anos, desandou a falar mal da Disney de Orlando. Eu fiquei espantado com tanta mágoa no coração da pessoa, que ao invés de dançar conforme a música e curtir o passeio preferiu apenas reparar no que de ruim (segundo ela) existe no parque.
Farei então uma postagem diferente, comentando dentro do texto dela, com certo humor e ironia em letras em negrito e, ao final, minhas considerações gerais.

 Segue o texto da “simpática” atriz...


A Disney é um conceito apavorante de infância organizado em um sistema angustiante de filas


Por doze anos recusei levar meu filho à Disney. Uma convicção estética inarredável orientava a minha negação. Nessas férias, porém, uma viagem ao México com escala em Miami amoleceu meu coração de mãe.
12 anos para amolecer o coração? Bruxa!

No dia 24 de janeiro do fatídico ano de 2012, abandonei os maias e a esplendorosa península do Yucatán para entrar em um avião rumo à Orlando. A temporada de cinco dias na Flórida foi comparável aos círculos de sofrimento de "A Divina Comédia", de Dante.
Meu, ela acentuou com crase o “a” de rumo a Orlando... Uma palavra masculina, portanto, não tem crase!
Importante: A crase não ocorre: antes de palavras masculinas; antes de verbos, de pronomes pessoais, de nomes de cidade que não utilizam o artigo feminino, da palavra casa quando tem significado do próprio lar, da palavra terra quando tem sentido de solo e de expressões com palavras repetidas (dia a dia).
Fatídico ano? Meu, como é que deixam alguém que acredita nesta idiotice escrever na Folha de São Paulo?
Círculos de sofrimento? Hum...

Como Deus ora pelos inocentes, meu rebento menor, de três, caiu com 39 graus de febre no aeroporto de Cancún. A milagrosa virose o deixou de molho nas primeiras 72 horas de aflição na América, enquanto eu e o maior adentrávamos as profundezas da terra onde os sonhos se tornam realidade.
Deus ora? Eu entendi bem? Deus ora? Meu Deus, pensei que éramos nós que orávamos para Deus...
Milagrosa virose? Meu, reparem, pensem bem, como uma mãe chama de milagrosa uma virose que o filho de três anos pegou, ao invés do menino poder brincar na Disney?
“72 horas de aflição na América? Bem, quando ela saiu do México, onde estava tão bom assim, era qual continente? E onde fica o Brasil? Até porque a América tem este nome em homenagem a Américo Vespúcio, que constatou que as novas terras descobertas eram na verdade um enorme continente, e fez isso no litoral brasileiro. Por isso deram o nome de América, em sua homenagem. Portanto, o nome América nasce no Brasil, não nos Estados Unidos da América, o nome correto do país “infernal” do qual ela tem o visto de entrada tirado previamente...

O Limbo, primeiro círculo de penitência, se apresentou na forma de montanhas-russas colossais que comprimem os sentidos a forças G inimagináveis. Deixei meus neurônios serem prensados contra a parede do crânio em loopings cadenciados, até ser cuspida tal e qual um zumbi agastado, tomado por abobamento crônico.
Montanha-russa é para quem gosta e pode viu querida, não gosta, não ande, pronto. Eu amaria andar naquelas montanhas russas...
Abobamento crônico, pois é... Percebi...

As máquinas medievais de martírio causam náusea, vômito e enxaqueca.
Máquinas medievais de martírio? A idade média vai de 476 a 1453 viu Fernanda, a montanha-russa foi inventada nos primeiros anos do século XIX, na Rússia... Daí o nome...

Para os que preferem sofrer ao rés do chão, simuladores provocam a mesma sensação de abismo sem saírem do lugar em que estão.
Mais uma vez, é para quem gosta...

Na sétima hora do dia, enquanto era sugada, no lugar da chupeta, por uma Maggie Simpson descomunal, eu já não falava e nem me mexia. Caí dura no resort de golfe, "wonder land" da terceira idade muito frequente na região.
Finalmente em um lugar compatível com sua idade... Mental...

A Flórida é o último refúgio dos que viveram até a aposentadoria.
Pois é, último... Generalizadora ela...

Abri o olho e reneguei assistir a tormenta das baleias cativas nos tanques do Sea World. Atrás de motivos para ser castigada, fui arrastada às compras por um furacão chamado luxúria.
As baleias são caçadas, infelizmente, pela loucura humana pela carne do bichinho. No fundo, tais parques garantem a reprodução delas e a proteção contra outros humanos de pescá-las...

Usufruímos o céu nublado da Universal da tarde seguinte. O ar de quermesse do parque vazio, o clima ameno e o Harry Potter nos fizeram crer na alegria infantil dos americanos. Driblamos bem a comida intragável, servida em porções individuais que alimentariam tribos inteiras. O jejum é dádiva quando se encara as aves inchadas a hormônio e o teor transgênico das lanchonetes. Orlando é a cidade campeã da obesidade mórbida; o Lago de Lama dos que sucumbiram à gula.
Céu nublado da Universal? Já compraram o céu também? Ainda por cima nublado, coitada da Fernanda, e olha que ela pagou por um sol...
Alegria infantil dos americanos, hum, mais uma vez faz falta conhecimentos de geografia na moça... Estadunidenses filha... Gostar de “Os Normais” que deve ser adulto de fato, não coisa de pré-adolescentes curiosos sobre sexo...
“Driblamos bem a comida intragável, servida em porções individuais que alimentariam tribos inteiras. O jejum é dádiva quando se encara as aves inchadas a hormônio e o teor transgênico das lanchonetes.” Bem, se o garoto quisesse arroz com feijão teria ficado na casa da avó, paterna...
“Orlando é a cidade campeã de obesos mórbidos”... Tem um ranking em mãos tia?


A última alvorada foi dedicada à Disney. O sol brilhou no sábado de inverno, atraindo a multidão bíblica que lotou os milhões de metros quadrados de hotéis, zoológicos e parques temáticos; interligados por rodovias, hidrovias e ferrovias futuristas.
Criticando a multidão, pelo visto você também fazia parte dela Fernanda... Multidão bíblica? Acho que ninguém foi lá para rezar...

A Disney é um conceito apavorante de infância organizado em um sistema angustiante de filas. É o ante-inferno dos indecisos que aguardam em caracóis indianos uma satisfação que nunca chega.
Conceito apavorante de infância... Engraçado que as crianças saem rindo de lá... Que tal as crianças pobres, que vendem chicletes nos semáforos, passam fome, frio, viram bandidos e não podem ir até a Disney, isso não lhe apavora?
Filas... Se não quer sacrifício, fique em casa, peça para alguém levar o menino, tenho certeza que ele gostaria muito mais do que a sua péssima companhia...

Ir na Sapucaí fazendo propaganda de marca de cerveja com apelo sexual pode né, Disney não!

Você anseia para ter o direito de aguardar em pé, agarrada à democrática senha que só amplia a espera. A jornada se esvai em uma azucrinante administração de tickets. A condenação à eterna expectativa seria até suportável, não fosse o suplício sonoro.
Suplício sonoro? Meu, a mulher estava uma pilha, se alguém peidasse perto dela acho que ela matava...

Como vespas a picar os tímpanos, a voz aguda das musiquinhas enjoadas, os "cling", "cleng", "glom" das engenhocas de ferro e a proliferação de musicais da Broadway, encabeçados pelo grande show do castelo da Cinderela, são de perder a razão. E mesmo durante o safari, única esperança de silêncio ecológico, o timbre de buzina da guia aspirante à atriz vinha pinçar os nervos.
Quer silêncio? Não vá para a Disney! “Buzina da guia aspirante à atriz”... Bem, se ela tivesse a sorte de ter nascido filha da Fernanda Montenegro né... Seria mais fácil eu acredito...

A comparação entre a delicadeza do Caribe mexicano e a artificialidade embalada em plástico de Orlando foi um choque e tanto.
Até onde eu sei, criança odeia ver ruínas... Apesar de que eu amaria ter a chance de poder conhecer tal lugar, mas as crianças, sabe como é né...

Antes de partir, visitei o paraíso. Um pântano na zona rural povoado por crocodilos, peixes e pássaros semelhante ao gigantesco charco que Walt Disney adquiriu há décadas atrás.
Em paz, no meio da lagoa virgem, me perguntei o porquê da zona urbana daquele lugar manifestar um prazer masoquista tão arraigado.
“Um pântano na zona rural povoado por crocodilos, peixes e pássaros semelhante ao gigantesco charco que Walt Disney adquiriu há décadas atrás”. Hum, sería sobre ecologia que você está falando? Por que não escreve então sobre a área do Projac, lá da Rede Globo, onde você gravava? Ali era uma área da mata atlântica, ameaçada de extinção, que o senhor Roberto Marinho comprou na década de 1990 e, montou até cidades cenográficas para as novelas. Ah tá, preservou um pouco da mata original... Um pouco... Ali mesmo, que você ganhou uma boa grana para ir para a Disney, para depois poder falar mal.

Talvez seja culpa pelo excesso de ofertas nos supermercados, pela invenção do papel higiênico felpudo, do "super size" tudo, dos veículos alcoólatras e das cidades sem pedestres. A insustentável fartura social se penitencia tomando sustos em trem fantasmas mirabolantes.
Culpa de veículos alcoólatras? Aqueles mesmo que reduzem os índices de poluição no meio-ambiente? Com combustível desenvolvido no Brasil? Cidades sem pedestres? Nunca conheci uma, mas... Ela deve ir gravar a pé, ou de bicicleta...

Não é diversão, é dívida cristã. A Disney nasceu na Idade Média.
Dívida cristã? Disney nasceu na Idade Média? Aquela mesma época em que meros mortais (98% das pessoas) não tinham praticamente diversão alguma, não existia comércio, muito menos parques? Nem sequer existia moeda corrente? Acho que a Disney, nascida no século XX é bem diferente...

Bem galera, sei muito bem como estes parques ganham dinheiro, sei o que está por detrás de tanta diversão para as crianças. Porém, as crianças tem o sagrado direito de se divertir, e nenhum adulto ranzinza, a meu ver, pode estragar a diversão de uma criança. Já fui sete vezes na Tokyo Disneyland, oito vezes na Tokyo DisneySea e uma vez na Universal. E vou com minha família nas três novamente neste ano. 
As crianças se encantam com os parques, com os personagens dos desenhos que estão ali, para elas abraçarem e tirar fotos. Como a Fernanda Torres pode achar que sabe qual diversão é melhor para uma criança? O encantamento nos olhos da minha filha, não tem dinheiro que compre. E uma criança meu amigo, não sabe que é capitalismo, consumo, geopolítica, imperialismo, nada. Para elas vale se divertir, e estes parques cumprem a promessa. Filas? Ora dona Fernanda, não posso afirmar nada, mas acredito que você tenha algumas comodidades no Brasil com relação a este assunto. Deve ter alguma prioridade, acredito eu, até pela fama que segundo consta, você fez por merecer, é claro. Não que os demais profissionais, que não ficam correndo seminus em seriados na Globo, não venham a merecer, mas em uma sociedade democrática, em um local movimentado, é isso que acontece... Filas, como no Brasil, para nós “normais”, não para “Os Normais”, é bem comum. Lá nos states tu é peão, igual eu né fofa, rs. 
Achei que ela pegou pesado demais, parece alguém de mal com a vida. Vale lembrar que você é como a Disney, vende entretenimento para as pessoas. Se bem que eu acho a Disney bem mais competente nesta atividade, mas o fato que é isso que você vende, nada mais. Então, não seja hipócrita, uma foto com a Minie você deve ter batido, confessa vai. Hoje vi uma imensa fila no McDonald’s, resolvi ir comer em casa, e claro, fiz uma matéria sobre o comportamento dos japoneses nestes dias, mas não achei inferno nenhum. Caso estivesse com minhas filhas, ficaria na fila com o maior prazer, todos tem o seu direito e, filas, garantem isso.
Agora, não entendi bem a paulada na democracia, tudo certo com ditaduras, companheira Fernanda? 



3 comentários:

Rogério Lima 23 Japan disse...

Sensacional !

Sergio Lima disse...

Caros Senhores,

O texto escrito pela atriz Fernanda Torres em si não tem a menor importância no que tange a agressão aos parques, a cidade e aos EUA. Na verdade, Orlando é uma cidade deliciosa se você sabe aonde ir e não se permite ficar em Resorts da terceira idade como os aonde ficou a moça com a família. E a bem da verdade, Orlando não é a campeã de super obesos dos EUA, este título pertence a Atlanta na Georgia.
Por outro lado, é preciso dizer que ela tem cem por cento de direito a ter sua opinião contrária a tudo e a todos. O que não se entende é a forma tosca e grosseira de se escrever. Será que a genial mãe não conseguiu lhe dar um mínimo de educação no momento de se expressar? Para que a agressividade e os adjetivos sem fundamento? E por pior que possam ser os parques e tudo o que os cercam, não faz sentido alguém escrever com tanto ódio ou rancor. Por mais que você sofra ali não justifica-se tamanha crítica, passa a parecer bossal, vira o fio e cai no ridículo.
Aliás, a pergunta que faço como pai é o que teria sido pior para o filho? Estar sofrendo os aparentes tormentos da Disney e Universal tão adorados por crianças também pelo fato deles ainda não serem velhos e curtirem toda aquela loucura e nem se importarem tanto em ficarem em longas filas ou estar ao lado de uma mãe ranzinza, com pensamentos pré-concebidos e portanto já irritada com o simples fato de estar alí?
Na verdade, a moça que escreveu este texto me lembra aquele amigo que todos nós já tivemos, o que vivia batendo no peito e dizendo ser o mais macho e bravo mas que diante do menor desafio se afinava, se calava e mostrava bem o que era.
Pois eis que diante de tantos problemas de verdade, aqueles que afligem doloridamente o povo brasileiro, ver uma mulher de nome, filha de uma quase rainha do estrelato do país ter tal ataque de irritação com parques de diversão em um outro país e um de primeiro mundo, me faz questionar quase que indignado...
Cara pessoa famosa, cadê esta sua raiva quando o assunto é a educação brasileira dada a brasileiros diferentes de seu filho? Quero ler teu texto sobre isto! E este seu rancor pra gritar contra a total falta de segurança em qualquer canto que se vá neste país? Me diga, cara atriz global, aonde está a tua vergonha na cara para criticar a falta de respeito as crianças e principalmente a mulher brasileira nas novelas da empresa aonde a senhora trabalha? Falar sobre prostituição infantil e saúde nada? Porque não se revolta contra a fome de irmãos brasileiros na sexta maior economia do mundo? Tenho certeza que se o jornal lhe abriu espaço para escrever sobre "parques" também lhe daria para tratar de assuntos verdadeiramente dígnos de amargura e raiva, de desespero e desgosto.
Esperemos então o próximo capítulo da tão enfurecida cidadã atríz. Mas esperemos sentados pois da elíte brasileira não se extrai nada de útil há décadas.
A não ser a velha desculpinha dos mamutes da velha e ineficaz esquerda, aquela que fracassa, fracassa e que no final coloca a culpa...É claro...No Mickey.
Sergio Lima

DaniGimenes disse...

Obrigado Sérgio! Muito esclarecedor seu comentário! Seja sempre bem vindo, para concordar ou discordar!
Abração!