sexta-feira, 26 de abril de 2013

Série Mulheres Altas no Japão - Parte I


Inicio hoje uma nova série aqui no blog. Na verdade é uma reportagem que fiz em 2012, e que apenas agora a publico, sobre como é a vida de mulheres brasileiras altas em um país projetado para pessoas pequenas. A escolha pelas mulheres recaiu sobre elas pelo fato do sexo feminino ser o que mais sofre para encontrar roupas, sapatos, e tudo mais que é feito para mulheres de estatura média para pequena, principalmente em um país como o Japão. Além é claro, de que mulheres altas são uma exceção em nossa sociedade machista, portanto, elas tem mais histórias de problemas e preconceitos que vieram a enfrentar. A cada parte uma nova brasileira estará aqui dando o seu depoimento. Espero que gostem! Segue o texto final:


Ser mulher é fazer parte de uma realidade que poucos homens possuem alguma noção dos desafios que a feminilidade impõe. Estar bonita, bem maquiada, vestida e calçada na moda, é quase que uma obsessão sustentada pela sociedade que, invariavelmente, as mulheres sempre estarão à mercê. Se maquiar e se vestir bem pode fazer a diferença no meio profissional. A aparência conta muitos pontos até para os homens, para as mulheres então muito mais.

Existem diferentes biotipos corporais, onde a maioria parece seguir o padrão da beleza e medidas padronizadas. Mulheres altas chamam muito a atenção por onde passam, por isso, precisam aliar a exuberância da altura com a graça e a leveza que se espera de uma mulher. O compromisso de tais mulheres com cuidados corporais chega a ser até maior se comparado com as outras de estatura mediana ou baixa. Por atraírem olhares das pessoas com maior constância, qualquer roupa mal vestida ou uma maquiagem borrada irá ser notada com facilidade. Como também se adaptar a um “mundo” que não foi projetado para sua altura não é uma tarefa fácil. Principalmente no caso do Japão, onde tudo é fabricado segundo o padrão de tamanho dos japoneses, que é menor do que a média dos países desenvolvidos.

Com uma média de altura de 1.72 metro para homens, e 1.58 m para as mulheres, segundo dados do site Wikipédia, e com tendência a aumentar, o Japão oferece pouco conforto ou opções para pessoas altas ou acima do peso. A solução então é se adaptar aos problemas e levar com bom humor os desafios do dia a dia. Para saber mais como é a vida em uma sociedade “apertada”, a conversei com quatro mulheres altas da comunidade brasileira no Japão. Elas contaram sobre os desafios diários, problemas, vantagens de ser alta e como as pessoas as notam.

Alta e miss

Chrissier Teruya Delgado Giacomin, 28 anos, é uma mulher que sabe muito bem os problemas de ser alta em um país onde a média de altura das mulheres é das mais baixas. Vivendo em Okazaki (Aichi), a esteticista que mede 1.71 m de altura, vem lutando há 16 anos contra o preconceito que rodeia as mulheres grandes no país, principalmente na moda.


Educada em escola japonesa, desde a adolescência era mais alta até se comparada aos professores, sendo desta forma alvo constante de chacotas dos demais alunos. “Eu sempre era a última da fila, isso me chateava muito”, afirma a brasileira. Segundo contou, a altura e a força ajudaram a diminuir as gozações, pois depois que passou a reagir, poucos se atreveram a enfrentar aquela “giganta” que estava diante de si. “Foram várias vezes em que peguei a molecada para bater. Eles eram menores e mais fracos, aí não tinham chance”, recorda Chrissier, que contava com a ajuda da irmã e de outra amiga brasileira nas horas em que o “tempo esquentava”. A preocupação atual é com relação à filha, que também é alta e vem sofrendo com as gracinhas das demais crianças na escola.

Comprar roupas é sempre um martírio até para homens altos no Japão. No caso das mulheres é um verdadeiro tormento. “Minhas calças precisam vir do Brasil, aqui dificilmente eu encontro. Como a maioria das brasileiras possui bumbum grande e quadris largos, as calças japonesas acabam deixando as formas do corpo quadradas. Blusa então é um tormento, as mangas são curtas. As roupas, mesmo nos tamanhos maiores, são muito apertadas, esmaga o corpo”, explica Chrissier.

A brasileira ainda contou que costuma costurar as próprias roupas, pois desta forma a vestimenta se modela melhor ao corpo e dá a sensação de liberdade. “Fui miss Plus Size em 2011. Eu mesma costurei o vestido do qual venci o concurso, assim como costurei o da minha irmã também”, revela.


Chrissier afirmou que pesa contra ela dois tipos de preconceito sociais no país, o de ser alta e gordinha. “Peso 100 quilos e isso não me atrapalha. Vejo que são os outros que se incomodam com meu peso. Só sei que pela minha estrutura corporal nunca irei emagrecer como as tabelas sugerem para minha altura, muito menos se for pelos padrões japoneses” destaca.

Para namorar uma mulher alta como Chrissier, o pretendente não precisa ser necessariamente alto, mas, como disse com bom humor a brasileira, precisar ser enviado por Deus. “Tive um namorado que tinha minha altura, mas era magro. Ele chegou a malhar para ficar mais encorpado e não parecer mais fraco se comparado comigo”, recorda.


Um comentário:

Ygo Maia disse...

Muito legal essa sua série de reportagens, Daniel.
Vou acompanhar as outras partes, com certeza.
Realmente a estrutura dos japoneses é muito diferente e quem vai morar deve sofrer bastante. Parece que lá tudo é de brinquedo, tudo muito pequeno.
Parabéns pela série!!
Abraço!!
http://ymaia.blogspot.com.br/