sexta-feira, 28 de junho de 2013

Manifestações pelo Brasil, o que pode mudar

Antes de mais nada gostaria de pedir desculpas por mais um sumiço, desta vez de 40 dias, nesta atribulada correria e fechamento de bimestre, casamento da cunhada, viagens, compras, e claro, eu também estava participando das manifestações, que invariavelmente irão ajudar a moldar a cara do Brasil, pelo menos com uma população mais participante, que acordou do berço esplêndido, é o que eu espero.

Mas além das manifestações em si, o acordar do povo precisa ser para aumentar a sua capacidade de entendimento e argumentação política, e o mais importante, saber olhar para sua própria cauda antes de falar da cuada dos outros, deu para entender o que eu quis dizer com cauda né...

Vi e aprovei, apesar de não ter incentivado de forma alguma, diversos estudantes participando do movimento. 
Antes de mais nada, por que aprovei:
- Por que acho bacana os jovens deixarem de se preocupar apenas com modismos ou jogos e saírem para batalhar por algo que mude a sociedade da qual estejam inseridos, e de fato, melhorar desde cedo a percepção política. 
E por que não incentivei: Os movimentos eram imprevisíveis, e qualquer sujeito poderia estar inserido neles, desde vândalos, a radicais de esquerda, militantes sem causa, e toda fauna de seres que vagam pelo seio da sociedade, apenas buscando uma teta para mamar. Desta forma, de maneira alguma tinha segurança para incentivar menores de idade a irem para as ruas e correr riscos, mesmo aqui em Três Lagoas, cidade em que vivo no momento.

Ainda sobre os estudantes, um aviso importante:
Foi bacana vê-los participar das passeatas e tal, mas de nada irá adiantar que não mudem a postura diária, principalmente na escola. A educação foi um dos principais motivos para a população deixar de lado a revolta por apenas os R$ 0,20 iniciais de Sampa e buscar mudar a sociedade por completo. Agora, pedir melhor educação nas escolas, e mesmo assim tirar notas baixas, xingar os colegas, professores, jogar lixo no pátio e nas ruas das cidades, o tornará um pequeno hipócrita, que possivelmente poderá ser um mal político no futuro, tão pior quanto os que atacam agora.

Três Lagoas - Quarta-Feira, 19 - Praça Ramez Tebet

O que não concordei: Com vândalos aprontando e sujando o propósito pacífico das manifestações. Não concordei também com a ascensão de pequenas e otárias lideranças, que além de despreparadas (há 21 anos não víamos algo parecido, portanto, ninguém aqui tinha gabarito para tanto), orientavam mal as pessoas, muitas vezes proibindo manifestações partidárias e a liberdade de expressão. Foi o que ocorreu em Três Lagoas, onde, após participar da passeata no dia 19 (quarta-feira a noite), fiquei animado com a lisura da passeata, porém, no sábado seguinte pela manha (dia 22), o que eu vi foi um show de horrores! Com toda certeza eu vi ali uma das piores formas de se manifestar. Um professor de história, com um discurso ensaiado contra a câmera de vereadores local, com dados possivelmente vazados por alguém da política comandava os discursos, e por mais que negue, o rapaz está buscando ganhar visibilidade e ascensão com as manifestações, essa é minha opinião, e sou livre para manifestá-la. Pior do que a tal liderança que busca o estrelato, foram duas moças universitárias, que resolveram em dado momento olhar os cartazes da multidão e julgar quais os que podiam ou não, no melhor estilo fascista de controlar e proibir a livre e democrática manifestação pública. Após uma delas olhar o meu cartaz, e "aprovar" (até parece que eu iria abaixar caso a pseudo decisão da senhorita com cocô na fralda fosse o contrário), na sequência ela pediu para um garoto ao meu lado, que por coincidência é meu aluno, a abaixar um cartaz contra um determinado vereador da cidade, do qual não conheço, pois aqui estou há menos de um ano, e apesar de não ter nada contra o questionado vereador, eu estourei e discuti energicamente com as duas senhoritas, que insistiam em oprimir o direito do menino, em sua primeira manifestação da vida, a se manifestar democraticamente. Defendi a liberdade de expressão e democracia, nada mais. Segue abaixo o que escrevi no Facebook no mesmo dia, e logo a seguir, a nota do Jornal do Povo do Mato Grosso do Sul, informando o ocorrido na edição do dia 25 deste mês.

O que deixei registrado no meu Facebook, no dia 22 sobre o ocorrido

A nota publicada pelo Jornal do Povo que foi publicada no dia 25. A propósito, a nota acima, falando com razão sobre a forma errada que a jovem cantou o hino brasileiro, é a mesma pessoa da qual eu briguei para não recolher os cartazes, como pode ser comprovado aqui, realmente a fulana é muito mal preparada...

É isso. Espero que a democracia vença, os políticos atendam como estão atendendo a voz das ruas, que a polícia a partir de agora se prepare melhor para lidar com casos assim (devem ficar mais comuns), que a educação melhore, os alunos melhorem, que as cidades fiquem mais limpas. E o mais importante, que os estudantes universitários, que pensam estar no comando de algo que é livre e democrático, motivado pelo povo, do povo e para o povo, aprendam mais sobre democracia, política e história antes de continuar a oprimir a democracia e a vomitar discursos muito mal embasados ou direcionados.

Daniel Gimenes

Eu com o cartaz que fiz para protestar contra o PT, Dilma e Lula no dia 22


Nenhum comentário: